Computadores finos e leves, como os ultrabooks e os tablets, têm sido a principal aposta dos fabricantes nos últimos anos. Esses equipamentos seduzem o consumidor com seu peso reduzido – um atrativo e tanto para quem precisa carregá-los de um lado para outro – e o design sofisticado.

Mas há mercado para um tipo de dispositivo muito diferente: em vez de delgado, o aparelho exibe um corpo parrudo, e se a aparência não é seu forte, ele resiste à chuva, a quedas, à poeira e ao calor. Sim, o computador ‘casca-grossa’ também tem seu charme.

Não há dúvida que o mercado para esses equipamentos resistentes é bem menor que o de produtos ultrafinos. Mas a limitação do público-alvo – os compradores tradicionais são empresas, ou profissionais que precisam usar o equipamento em ambientes hostis, como chão de fábrica, instalações militares, plataformas de petróleo, siderúrgicas etc.

“Se o seu computador quebra dentro do escritório, é fácil ligar para o suporte e solucionar o problema. Mas se um policial está na rua, fazer essa manutenção é mais difícil. Você precisa de um equipamento com maior resistência”, diz ao Valor Hide Harada, da unidade de negócios de produtos de tecnologia da informação (TI) da Panasonic. Harada supervisiona a fabricação da linha Toughbook, o computador resistente da Panasonic.

Apesar da aparência de um notebook dos anos 80, os “casca-grossas” têm toda a tecnologia de produtos de última geração, aliada a baterias que podem durar até 16 horas e estruturas que “aguentam o tranco”. Harada diz que no Japão uma versão mais simples do equipamento, batizada de Let´snote, é muito usado por jornalistas. “Os profissionais japoneses usam muito o transporte público, por isso precisam de um equipamento resistente, com boa duração de bateria, para não precisar carregar muitos acessórios”, diz.

Segundo Harada, apesar de incipiente, o mercado brasileiro tem um grande potencial nos próximos anos. Entre os principais alvos, o executivo cita concessionárias de serviços públicos, empresas do segmento de petróleo e gás e o setor público. No fim do ano passado, a companhia vendeu 60 máquinas à Polícia Militar Rodoviária do Paraná.

O negócio fez parte de um projeto que também incluiu a compra de impressoras resistentes e um software específico para uso pela corporação. De acordo com João Alberto Simões, gerente da linha Toughbook no país, a companhia também fechou contrato com uma grande empresa privada, cujo nome será revelado em breve.

Quando foi lançada oficialmente no Brasil, no fim de 2010 e depois de mais de uma década de existência no exterior, a linha Toughbook tinha uma base instalada de cinco mil unidades no país, que eram importadas indiretamente. Desde então, com investimento em pessoal e estrutura de suporte local, o número cresceu entre 10% e 20%. Para os próximos cinco anos, o objetivo é manter taxas de crescimento entre 20% e 25%, diz Harada.

Os equipamentos serão importados. Segundo o executivo, ainda é cedo para pensar na produção local dos Toughbooks. É que à exceção de alguns componentes, como processador e disco rígido, os demais componentes são fabricados pela própria Panasonic no Japão. Criar linhas de produção no Brasil exigiria investimentos complementares para a fabricação de placas e no controle de qualidade dos computadores. “E com a demanda atual, isso não se justifica”, diz Harada.

Fonte: Valor Econômico

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